Pela Liberdade de Ensino
Nota da Associação Famílias.
Associação Famílias
Pela Liberdade de Ensino
A Associação Famílias sente que urge pôr fim a um sistema de ensino arcaico
centralizado e monocolor, cujo modelo se inspira nas reformas napoleónicas, do
início do século XIX. O actual sistema contradiz,
nitidamente o Artº 43º da Constituição Portuguesa vigente (1. É garantida a
liberdade de aprender e ensinar). Mas, também e sobretudo da Declaração
Universal dos Direitos Humanos (Artº 26º 3) que refere
expressamente: Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de
educação a dar aos filhos.
Este figurino não satisfaz os Pais e cidadãos que querem construir um futuro em
Democracia autenticamente plural.
Assiste aos Pais , "primeiros e principais educadores" dos seus filhos o direito
de escolher a escola que tenha um projecto educativo mais consonante com o que
defendem e procuram viver. Actualmente, em
Portugal, tal não se verifica.
Como pode o sistema escolar, todas as escolas públicas, em todos os graus de
ensino, ter projectos educativos se a Constituição, no já citado Artº 43, 2. diz
que "O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer
directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas"? Que
fica para caracterizar um projecto educativo? Depois, que valores podem ser
veiculados numa Escola que
recebe docentes de todos os quadrantes ideológicos, estéticos, religiosos,
políticos...? Que coerência tem ou pode ter um projecto educativo onde a
dissonância dos educadores é tão nítida? O Estado deve reconhecer que não pode
ter o monopólio da área da educação. É uma posição retrógrada, autoritária e
extremista.
A neutralidade na Educação não existe porque educar é transmitir, propor valores
estruturantes às crianças e jovens. A neutralidade é, pois, incompatível com a
educação.
A Associação Famílias tem constatado que a apregoada neutralidade no sistema de
ensino em Portugal, afinal, pode ser ferida e aceite a situação pelas sucessivas
tutelas, por exemplo, a propósito da famigerada Educação Sexual. Se se atentar
bem, verifica-se que, há pessoas e ONG `s que são apoiadas e incentivadas a
fazer formação naquela área, sem o conhecimento dos pais e que não são, porque
não podem, ser neutras.
A área da sexualidade é extremamente sensível e a educação nesta área é
prioritariamente da obrigação dos pais. Por isso, nas escolas que promovam
acções de qualquer tipo sobre a sexualidade, os pais devem ser auscultados sobre
a oportunidade das mesmas. Os pais têm o direito de saber quem faz as sessões,
como e quando as vai fazer, e se as mesmas estão adequadas à idade de quem as
recebe.
Infelizmente verifica-se que o Estado tem quebrado a sua neutralidade, de forma
intencional. Admite-se que se torna difícil resistir a pressões de lóbis
poderosos e influentes. Há, de facto ONG `s com fortíssimos apoios nacionais e
internacionais, fortemente activas na área do planeamento da família que estão a
intervir na formação de professores, alunos e outros actores da vida escolar,
com o apoio do Ministério da Educação. A situação não se pode manter assim. Há
um número extremamente significativo de pais que se sentem ultrapassados por
estes "educadores" que têm um entendimento permissivo e, por vezes, redutor e
pobre da sexualidade.
Se o Estado não quer, não sabe ou não pode ser rigoroso em termos de
neutralidade, ao menos que admita ser plural e, com o mesmo empenho com que
apoia e incentiva determinadas perspectivas, tenha a coragem de apoiar e
incentivar, do mesmo modo, outros intervenientes que proponham outros olhares
sobre a sexualidade.
Assim, não!
Se o Ministério da Educação não pode ser neutro (e não o tem sido!, ao menos que
seja plural!
Queremos ajudar a formar Homens e Mulheres de bem consigo próprios e com os
outros, que saibam respeitar-se, a quem foi proposta uma visão completa da
sexualidade dos pontos de vista biológico, psicológico, social e espiritual.
Não queremos que às crianças e jovens, nossos filhos, sejam transmitidos
conhecimentos que reduzam a sexualidade a uma manta de retalhos, confusa e sem
critérios essenciais que caracterizam a sexualidade humana.
Finalmente, queremos referir que a Associação Famílias tem uma longa experiência
de formação na área da sexualidade com técnicos qualificados, quer contribuir de
forma positiva e está disponível para tornar a educação de crianças e jovens
mais equilibrada e respeitadora dos direitos dos pais.
Braga.2002.Novembro.22
Associação Famílias
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