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Público
Portugal Progride no Bem-estar das Crianças
Por PAULA TORRES DE CARVALHO
Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2002
Relatório da Unicef
Documento traz notícias inquietantes sobre a situação das crianças em todo o
mundo, mas tem dados positivos para Portugal
Há 150 milhões de crianças em todo o mundo que sofrem de má nutrição. Cento e
vinte milhões, a maioria das quais raparigas, não frequentam a escola. Cerca de
180 milhões de crianças entre os cinco e os 17 anos estão envolvidas nas mais
diversas formas de trabalho infantil, seis mil são diariamente infectadas com
sida e calcula-se que 14 milhões, com menos de 15 anos, perderam um ou ambos os
pais devido à sida.
Estas são algumas das inquietantes notícias que constam no relatório anual da
Unicef "Situação Mundial da Infância 2003" (centrado no tema da participação das
crianças e jovens) apresentado, ontem, na cidade do México e, simultaneamente,
em Lisboa.
No meio deste cenário preocupante para a maioria das crianças do mundo, há, no
entanto, boas notícias para Portugal. A sua posição situa-se já ao mesmo nível
dos parceiros da União Europeia, no que respeita ao bem-estar da criança.
Com uma população de 2.033.000 jovens e crianças abaixo dos 18 anos, (561 mil
dos quais com menos de cinco anos), a taxa de mortalidade de menores de cinco
anos em Portugal foi de seis por mil, uma cifra igual à registada em países como
a França, Bélgica, Espanha, Holanda, Irlanda ou Itália e, até, inferior à
registada no Reino Unido (sete por mil). A taxa de mortalidade de crianças com
menos de cinco anos é um dos indicadores que permite a avaliação do bem-estar e
a classificação dos diferentes países neste campo.
Segundo as estatísticas, Portugal partilha com outros 13 países, quase todos
europeus, o número 164 de uma tabela encabeçada pelos países com piores índices.
No primeiro lugar dessa lista está a Serra Leoa, que registou, o ano passado,
uma taxa de mortalidade de menores de cinco anos de 316 por mil.
Estes últimos números revelam os progressos registados em Portugal no âmbito da
saúde materno-infantil. Há 40 anos, o índice da referida taxa de mortalidade era
de 112 por mil, número que, hoje, colocaria o país imediatamente atrás da
Eritreia (111 por mil) e ligeiramente à frente do Quénia (122 por mil).
No que respeita à mortalidade de bebés menores de um ano, Portugal registou o
ano passado uma taxa de cinco por mil, contra os 81 por mil registados em 1960.
A cifra referente ao número de bebés com baixo peso ao nascer (menos de 2,5
quilos) era, no período 1995-2000, de sete por cento, índice que situa Portugal
entre os Estados Unidos (oito por cento) e a França (seis por cento).
Portugal regista ainda notórios progressos noutros índices, como o que diz
respeito à vacinação de crianças com um ano de idade ou a percentagem de partos
assistidos por pessoal de saúde. Os dados estatísticos citados pela UNICEF no
que respeita à educação indicam uma frequência de cem por cento das escolas
primárias, num país em que a alfabetização de adultos atingia os 92 por cento em
2000. Quanto à percentagem de alunos da escola primária que chegam ao quinto
ano, era, em 1995-99, de 97 por cento.
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