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Público
PSD Quer Criminalizar Posse de Pornografia Infantil
Por SÃO JOSÉ ALMEIDA
Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2002
Alterações ao Código Penal
A Assembleia aprovou ontem o protocolo de Nova Iorque sobre pornografia
infantil. O PSD defende a necessidade de criminalizar a sua importação, oferta e
posse
A criminalização da "importação", da "oferta" e da "mera posse" de material
pornográfico envolvendo crianças deve ser criminalizada, defendeu ontem a
deputada independente eleita pelo PSD, Maria Teresa Morais, ao intervir no
debate sobre a aprovação para ratificação do Protocolo Facultativo à Convenção
sobre os direitos das crianças relativo à venda de crianças, prostituição
infantil e pornografia", estabelecido em 25 de Maio de 2000, em Nova Iorque.
Falando em nome do PSD e seguindo no fundo as orientações genéricas que são
introduzidas pelo protocolo em aprovação, Maria Teresa Morais defendeu também a
criminalização directa da venda de crianças, situação que não é explicitamente
contemplada na lei e só é punível criminalmente através dos crimes associados de
lenocínio, abuso sexual e escravatura.
Juntando-se assim às vozes que têm pedido o agravamento do quadro penal de
crimes de ordem sexual sobre menores, na sequência do caso da existência de uma
alegada prática de violação de menores e de pedofilia, com eventual prostituição
associada, a deputada questionou ainda o plenário sobre a necessidade de ser
discutida a possibilidade da idade limite para enquadrar as vítimas ser alargada
até aos 18 anos nos casos de lenocínio, de tráfico de menores e de abuso sexual
sobre menores. Isto porque, como referiu Maria Teresa Morais, "criança é, em
todos os instrumentos internacionais" o "menor de 18 anos".
Tentando exemplificar a impunidade que grassa em Portugal neste domínio, Maria
Teresa Morais questionou o plenário: "Fará sentido que, por força da moldura
penal que hoje temos, alguém que realiza filmes pornográficos com crianças não
possa ser preso preventivamente, possibilitando-se assim que o agente continue a
sua acção em liberdade?"
Maria Teresa Morais recusou ainda que a defesa deste tipo de criminalizações
significasse uma cedência "à tentação de apoiar tendências securitárias
excessivas e ultrapassadas". Antes sustentou que é necessário contrariar a falta
de "eficácia" no combate que é difícil a nível mundial contra um crime cujos
contornos não se conhecem exactamente.
"A Unicef com toda a autoridade que lhe é reconhecida, aponta números prováveis
de um milhão de crianças a entrarem anualmente no negócio do tráfico sexual",
sustentou ainda Teresa Morais, acrescentando: "São mais raparigas do que rapazes
e são, em cada ano que passa, mais novas, o que parcialmente se explica pela
errada e terrível convicção de que a probabilidade de contaminação com o vírus
da sida é menor nas crianças do que nos adultos".
Para concluir: "É o tal monstruoso mito da purificação através do acto sexual
praticado com crianças, a cuja manutenção o mundo tem assistido, não direi
passivamente, mas com certeza posso dizê-lo com profundo insucesso, e que
continua a levar milhões de crianças à prostituição, à contaminação e à morte".
O CDS, através de João Almeida, apoiou as alterações ao Código Penal. O PS,
através de Rosa Albernaz, o BE, através de Ana Drago, e "Os Verdes", através de
Isabel de Castro, condenaram os crimes sexuais e outros sobre crianças, mas não
quiseram, no imediato reagir à proposta do PSD.
Apenas Odete Santos, do PCP, rejeitou frontalmente a proposta de aumento da
idade da vítima de crimes sexuais para os 18 anos. A deputada comunista
sublinhou o facto de o Código penal português assumir como idade de maioridade
perante a lei os 16 anos. E acusou o PSD de agora querer ampliar a idade da
criança perante a lei para crimes sexuais, quando o seu parceiro de coligação, o
CDS quis já "baixar a idade de inimputabilidade" para certos crimes. Ou seja,
denunciou a existência de duplicidade de critérios penais no seio da maioria de
direita. E sustentou que o combate eficaz ao abuso sobre menores se faz
combatendo a pobreza e promovendo o desenvolvimento.
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