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Público - 20 Dez 02
Secundária de Espinho Definiu Uma Estratégia para o Sucesso a Matemática
Por SANDRA SILVA COSTA (TEXTO)
Escola Manuel Laranjeira faz desdobramento de turmas, criou uma hora adicional
no 12º ano e tem aulas de recuperação. As notas obtidas pelos alunos no exame de
Matemática catapultam o concelho de Espinho para a liderança das médias
nacionais.
Passam poucos minutos das 10h30. Na sala 14, a professora Eunice acabou de
entregar os testes de Matemática ao 11º B. Os resultados não trouxeram
surpresas: todos os alunos tiveram nota positiva. Marta conseguiu um pomposo
19,4. "Esta é uma turma muito boa", esclarece, entredentes, a docente.
Na sala 9, também no pavilhão 2 da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em
Espinho, está uma turma do 10º ano. Mandam as regras que a última aula antes de
férias seja dedicada à auto-avaliação. "Ana Luís?", pergunta a professora
Graziela. "15 ou 16, stôra", responde a aluna. Logo a seguir, um rapaz confessa
que acha que merece um 8.
É de estudantes "muito heterogéneos" que é feita a secundária Manuel Laranjeira,
conta Maria Ricardo, presidente do conselho executivo (CE). "Temos aqui alunos
de todos os tipos: uns mais interessados, outros menos; os que moram mesmo na
cidade e os de outras localidades aqui à volta; os que vêm de famílias com
dificuldades económicas e os de meios mais favorecidos. É uma população escolar
realmente heterogénea", explica.
No estudo de Luís Valadares Tavares, Espinho ficou no Grupo E de concelhos e
obteve a média a Matemática mais alta de todo o país (9,2), um valor que
corresponde à nota média dos alunos da Manuel Laranjeira (outra secundária da
zona é a Gomes de Almeida). Tendo em conta que a média nacional se fixou nos 7
valores, este é um bom resultado. Que factores ajudam a explicá-lo?
Embora sublinhe que a escola não tem "nenhum segredo", nem tão-pouco uma
"receita milagrosa" para o sucesso, Maria Ricardo revela que na Manuel
Laranjeira há "uma estratégia" definida para a promoção da Matemática. "Há muito
que o conselho pedagógico se preocupa com o sucesso nas disciplinas de
Matemática e Português", frisa a presidente do CE.
A montante, diz Maria Ricardo, os bons resultados a Matemática podem radicar na
qualidade dos professores. "O corpo docente é estável e experiente e este é um
dado essencial", afirma. Depois, continua, a escola procura que os docentes
acompanhem os alunos desde o 7º até ao 12º ano. "Quando não é possível, tentamos
que não haja mudança de professores nos dois ciclos de ensino, básico e
secundário. Assim os professores podem conhecer bem os alunos, os seus pontos
fortes e as suas fragilidades", nota, por sua vez, Gabriela Armelim,
sub-coordenadora do grupo de Matemática.
Aulas de recuperação
Maria Ricardo realça ainda que "a escola instituiu uma nova maneira de
trabalhar". "De há uns anos para cá, decidimos fazer desdobramentos de turmas,
desde o 7º até ao 12º ano", diz. Um exemplo: se o horário indica que os alunos
devem ter quatro horas semanais de Matemática, numa delas só está metade da
turma, conta Gabriela Armelim. "Isto quer dizer que os professores têm mais uma
hora de aulas, mas para os alunos significa um grande benefício, porque são mais
facilmente acompanhados", explica.
Para os alunos do 12º ano foi mesmo criada uma hora adicional dedicada à
Matemática. Os estudantes com mais dificuldades podem ainda usufruir de aulas de
apoio.
Mas há mais: na transição do ensino básico para o secundário, alguns estudantes
são convidados a frequentar umas aulas suplementares, que decorrem no início do
ano lectivo. "Os professores de Matemática seleccionam alguns alunos que
passaram do 9º para o 10º ano, normalmente aqueles que têm mais dificuldades. A
estes são dadas aulas de recuperação de matérias fundamentais e de revisão do
básico da disciplina", explica Gabriela Armelim, que não se cansa de sublinhar
"a boa relação" que se estabelece entre docentes e discentes.
Os alunos parecem satisfeitos com a globalidade dos docentes, mas não poupam
elogios aos que leccionam Matemática. Ana Rita Andrade e Sandra Pereira, ambas
do 10º C, contam que têm tido "bons professores, que explicam bem a matéria e
que justificam bem as coisas". "Dão a matéria com calma, fazem muitos exercícios
connosco, são muito dedicados", classifica Ana Rita, que elege a Matemática como
a sua disciplina favorita. "Se as coisas correrem como têm corrido até aqui,
acho que não vamos ter grandes dificuldades nos exames do 12º ano", refere
Sandra.
Vítor Pereira, do 11º B, prefere louvar o facto de ter a mesma professora desde
o 7º ano. "É óptimo. Ela já nos conhece, já sabe as nossas capacidades e isso
também ajuda nos resultados finais", diz.
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