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Público - 18 Dez 02
Comissão Europeia Questiona Viabilidade das Pensões em Portugal Após 2030
Portugal não demonstra, na sua estratégia nacional, como vai ultrapassar o
défice da segurança social depois de 2030, constata a Comissão Europeia no seu
primeiro relatório global sobre os regimes de pensões a nível europeu, aprovado
ontem. "O relatório da estratégia nacional mostra como Portugal pretende
enfrentar esta dificuldade até cerca de 2030, mas não diz como poderá cobrir o
défice da segurança social depois dessa data", refere o documento.
De acordo com a Comissão, o regime de segurança social português deve conhecer
um défice entre 2015 e 2020, momento a partir do qual o fundo de reserva será
destinado, durante 15 a 20 anos, a combater o défice e a cobrir as despesas
suplementares.
"A partir de 2029, um défice da ordem dos 1,0 a 2,0 por cento do Produto Interno
Bruto (PIB) deverá ser combatido através de outras fontes" de financiamento,
refere o documento. Bruxelas considera que aumentar as pensões de velhice e, em
simultâneo, garantir a viabilidade financeira do sistema são os dois principais
desafios que Portugal enfrenta em matéria de segurança social.
Mas se "as medidas recentemente tomadas com o objectivo de aumentar os tectos
das pensões deverá reduzir rapidamente o risco de pobreza", o mesmo não se pode
dizer relativamente à viabilidade financeira do sistema, considera o executivo
comunitário.
A Comissão considera que Portugal tem ainda uma "margem para novas reformas" do
sistema e aponta como uma das hipóteses a seguir o desenvolvimento dos regimes
de pensões privadas.
Considera, no entanto, que é necessário garantir, em relação aos regimes
profissionais de pensões, o investimento dos direitos de pensão e a sua
transferência para os regimes privados.
O documento refere que a taxa de dependência dos idosos deve praticamente
duplicar em Portugal até 2050, prevendo-se que a incidência das despesas com
pensões aumente para 12,1 por cento do PIB, tratando-se de projecções nacionais,
ou para 13,2 por cento, se se considerarem as previsões das instâncias
comunitárias.
Segundo dados da Comunidade Europeia, referentes ao final dos anos 90, os
rendimentos dos portugueses com mais de 65 anos eram os mais baixos da União
Europeia.
Apesar do panorama, a Comissão admite que, a longo prazo, "a maturação do regime
de pensões (maior número de reformados com uma carreira completa) e,
eventualmente, o desenvolvimento dos regimes complementares deverá ter um efeito
positivo".
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